17 agosto 2017

O antes e o depois...

"Hope and expectation precede each round of treatment. If the treatment fails, hope and expectation are quickly replaced by despair and depression."
É mesmo isto que sentimos: o antes e o depois de um tratamento falhado.
Um artigo interessante. A infertilidade "falada" por um homem ( raro acontecer).

https://www.irishtimes.com/life-and-style/health-family/parenting/when-they-told-me-i-was-infertile-i-was-consumed-by-shame-1.3180573?mode=amp

11 agosto 2017

(Tentar) Aprender a viver sem..

11/08/2015: Faz hoje dois anos que tive o meu 3º ( e último) positivo.
Quando abri o mail e vi 536.00 o meu coração saltou. Sabia que era um valor ótimo.
Dois dias depois vi 1526.00 e 7 dias depois 6425.00.
Parecia estar tudo a evoluir dentro da normalidade.
Mas mas não correu bem.
Dois anos passados e ainda não curei as feridas. Na verdade, tenho sérias dúvidas se algum dia isso vai acontecer.
Hoje recebi um convite para um batizado. 
Dei por mim a pensar: mais uma festa em que só tu é que não és mãe de ninguém....
Para mim, o tempo não tornou a dor menor. Gostaria de dizer o contrário, mas estaria a mentir.
Aprendi a abstrair-me das conversas. Senti necessidade de o fazer.
Quando a conversa num grupo fica a girar em torno dos filhos, eu não aguento.É dor a mais para mim.
Tenho que " deixar de ouvir" e "viajar" para longe. Nesses momentos sinto-me a explodir. Sinto que a tristeza e a raiva se vão juntar e me vão "rasgar".
Ninguém tem culpa. Na realidade, ninguém tem de deixar de falar das alegrias que os filhos dão só porque está uma infértil presente. Mas eu não aguento.
Pensei que o tempo diminuiria a dor, mas na realidade não.
Nada vai preencher o vazio que sinto por não ter um filho.
As portas fecharam-se. Os tratamentos acabaram e a adopção foi uma porta fechada antes de ser realmente aberta.
Sinto, e sei que não estou errada, que ninguém entende esta dor. Quando digo ninguém, incluo também o meu marido.Por muito que ele queira um filho comigo, o vazio não é o mesmo.
Ele tem histórias para partilhar, ele tem quem lhe chame Pai.
Na realidade, nem eu sei explicar a "dor" permanente que sinto. Depressão reativa é o termo clinico ( segundo a Psicóloga). 
Seja qual for o nome , doi muito. E já percebi que me vai doer para sempre.
Com a infertilidade tornei-me revoltada.
Não aceitei até hoje ( e duvido que algum dia aceite) esta injustiça. 
Estou apenas a (tentar) aprender a viver com a injustiça....e sem filhos....
O tempo ( não ) cura tudo.

17 julho 2017

Nada de Novo...

Não tenho escrito neste cantinho porque basicamente não há nada de novo...
Amanhã nova consulta de Psicologia, na Quinta nova consulta de Psiquiatria...
Hoje de manhã dei por mim a pensar que há 2 anos por esta altura andava na "luta" para fazer TEC.
Andei meses para conseguir fazer, porque cancelaram 2 vezes a transferência.
Há 2 anos atrás ainda tinha esperança que iria conseguir ter um filho.
Hoje, olhando para trás, vejo que gastei todas as minhas energias nessa luta.
Não me arrependo. Mas, sem dúvida que me afetou, e muito, enquanto pessoa.
Uma das coisas que mais me entristece na Infertilidade é que ninguém nos compreende.
Ninguém faz a mais pequena ideia do quanto tudo isto nos aleija.
Neste submundo da Infertilidade um abraço vale mais do que mil palavras.
Sentir que temos alguém ao lado que nos apoia, nos compreende e está ali para nos "aturar" cada vez que nos apetece chorar.
Sem isso, torna-se uma luta ( ainda mais) cruel e solitária.

08 julho 2017

Nostalgia

Escrevo este post "no meio" de um churrasco de primos.
Adoro e sempre adorarei a minha familia.
No entanto, é inevitável a nostalgia que me assombra...só ouço : " pai, mãe,filho, filha..."
Sou a única que não ouço nem digo estas palavras...
É nestes momentos que percebo que a infertilidade me fará sofrer sempre...
É nestes momentos que percebo que serei sempre " diferente".
Não me sinto excluida. Mas, eu sinto-me diferente...

29 junho 2017

A diferença entre ter ou não...Dinheiro

Infelizmente, neste mundo da Infertilidade ter ou não dinheiro pode fazer muita diferença.
Entro no facebook e deparo-me com uma foto do Cristiano Ronaldo com os seus filhos.
Se eu tivesse dinheiro também recorria a Barriga de Aluguer.
Tal como a doação de Ovócitos, este não é um tema consensual, mas eu, se tivesse meios recorria a Barriga de Aluguer.
Poderia, ou não , ser a minha tábua de salvação.
Mas, como não tenho meios para, fico-me pelo sonho.
O sonho desfeito de um dia ser mãe....
Eu gerar um filho já se provou impossível.
Barriga de aluguer : impossível.
Adoção: Opção eliminada. Longas listas de espera aliado ao facto de que , apesar de o marido não o assumir, sinto ( do fundo do meu coração) que não está aberto a isso.
Porquê? Não sei. Nunca conseguimos levar a bom porto uma conversa ( sempre iniciada por mim) sobre o assunto.
Sonhos desfeitos que continuam a "doer".


26 junho 2017

Noticias Boas

Andei desaparecida, mas sempre a acompanhar a luta das outras meninas.
Hoje, quando li que uma delas teve um positivo fiquei (muito) emocionada.
É tão bom ver que nesta luta há finais felizes.
Só estas boas noticias nos fazem acreditar que nem tudo é injusto.
Um beijinho muito grande para ti minha querida e desejo-te uma santa gravidez!

Viver com 40

Tenho andado desaparecida....
O trabalho tem sido muito.
Entretanto já fiz 40 há quase 2 semanas.
Foi um dia em que inevitavemente me lembrei do "peso" que a idade acarreta.
Mas foi um dia bom, de comemoração com os amigos mais próximos e a família.
No que toca á Infertilidade continua tudo na mesma.
Não adianta vir para aqui escrever que estou a  aceitar melhor porque não estou.
Qualquer jantar de amigos é inevitável que a conversa passe por " A minha filha isto...O meu filho aquilo....". Todos têm filhos, meu marido incluído. Todos têm histórias e alegrias para partilhar. 
Eu sou e continuarei a ser a única " Estranha" que fica calada porque não tem histórias para contar.
Dói Muito. Aliás, acho que cada dia que passa me dói mais.