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08 fevereiro 2018

FIM#2

Antes de mais quero agradecer a todas as palavras de carinho. Chorei a ler cada uma delas.
Já comuniquei ao hospital a minha decisão.
Os embriões vão ser doados. Concordamos os dois que essa é a melhor opção.
Nunca saberemos se vão ser usados para investigação ou em tratamentos ( confesso que também prefiro não saber).
Estou em paz com esta opção.
Espero do fundo do coração que os "meus" 2 embriões ajudem alguém a concretizar um sonho que para mim se revelou impossível.
A mim cabe-me agora (re) descobrir a vida apara além da infertilidade, que deixei esquecida durante todos estes anos.
Decisão tomada não significa que a dor e a tristeza desapareceram ( e as lágrimas já caem...) mas há que seguir em frente.
Um beijo enorme para todas vocês e muito obrigada por todo o apoio!


14 janeiro 2018

FIM

Ando há dias para escrever este post...fui adiando....como fui adiando a minha decisão.
Ainda não comuniquei ao hospital, vou fazê-lo no dia da consulta : não irei fazer a TEC.
A minha opção é a doação, mas como essa decisão não passa só por mim, ainda não sei qual será o caminho.
A mim não me agrada " destruir" embriões ( arrepio-me só de pensar...).
Não é uma decisão tomada de ânimo leve, mas também não é uma decisão tomada de "cabeça no ar".
Sei que neste momento estão a pensar: desistir agora?
Não se trata simplesmente de desistir, trata-se do resultado da ponderação de muitos fatores de índole pessoal.
Dou por terminada a minha luta contra a infertilidade. 
Foram anos de muita luta e muito sofrimento. 
Foram anos a viver em função de cada tratamento, de cada vitória e de cada derrota.
Ninguém merece passar por tamanha luta e sofrimento para ser mãe.
Apesar de tudo, a infertilidade não me trouxe só coisas más. Conheci pessoas maravilhosas, algumas só virtualmente, que me ajudaram a ultrapassar cada momento .
Sem dúvida que o que não nos mata torna-nos mais fortes.
Passei pela fase de me sentir um " lixo" e " menos mulher"por não conseguir ser mãe.
Agora vejo que estava errada. Não sou inferior por não conseguir ser mãe. Não deixo de ser mulher por isso.
Na verdade, eu, e todas vós que caminhamos nesta " calçada de fogo" somos umas verdadeiras ninjas.
Se há uns anos me dissessem que eu ia passar e sobreviver a tudo isto, dizia que era mentira.
Aguentei a violência psicológica dos tratamentos, a frustração dos negativos e a derrota de 3 abortos.
E sobrevivi!!! 
Necessitei de acompanhamento psicológico e hoje digo que foi a melhor decisão que tomei. Foi sem dúvida o que me ajudou a encontrar o meu caminho e não me deixar afundar.
Este cantinho fica ativo. Espero que ajude a esclarecer algumas dúvidas a quem estiver nesta luta.
O mail continua ativo, caso me queiram colocar alguma questão.
A todas que continuam nesta luta , desejo a maior sorte do mundo!!!!
Espero que consigam realizar o vosso sonho.
Dream e My Little Faire Little: um beijinho especial para vocês e muito obrigada por todo o apoio ao logo deste percurso. Continuarei a seguir os vossos cantinhos e a torcer por vocês!

FIM

12 dezembro 2017

UPDATE#3

Tenho andado desaparecida.
Basicamente não há nada de (muito) novo.
Em Novembro fui á consulta com a Drª M.
Cada vez mais digo que apoio psicológico faz falta.
Com a ajuda da Drª M consegui "ver" e perceber muitas coisas que até então não tinham qualquer sentido para mim.
Umas positivas, outras negativas, mas todas foram necessárias.
Não tenho dúvidas que tive sorte com a Drª M., que é sem dúvida uma excelente profissional.
A quem está neste ( doloroso) percurso da infertilidade , permitam-me o conselho: procurem apoio psicológico. Não temos que passar por tudo isto "sozinhas". Não nos tornarmos mais fracas por procurar ajuda.
Em Janeiro vais ser um mês em cheio: Psicologia, Psiquiatria e a consulta da decisão do Sim ou Não.
Se sei o que vou fazer? Não. Na consulta disse á Drª M o que realmente sinto: Não fazer mais nada. Já estou "cheia" de sofrer.
Ela só me " mandou" uma pergunta para casa: " Consegue viver com isso?"

Também não sei....

22 novembro 2017

Para a Vida Toda...

No Domingo fui pela primeira vez ver um jogo de Voleibol da minha sobrinha/afilhada.
A rapariga que ainda "ontem" nasceu já joga nos iniciados do Braga!O tempo voa...
Foi um jogo bastante renhido, mas ganharam por 3-2.
No final do jogo, veio direta a mim e deu-me um ( grande) abraço.
Naquele momento, em que lhe dei os parabéns pela vitória e recebi aquele abraço , percebi que é mesmo para a vida toda.
É um Amor para a vida toda, o que eu tenho por ela.
É um vazio para a vida toda, o que eu sinto, por nunca poder viver estes momentos com os meus filhos....Os meus olhos ficaram...Ali,percebi que o vazio causado pela infertilidade será mesmo para a vida toda!

19 novembro 2017

TEC - Sim ou Não?

Muitas vezes me perguntam porque não avanço com a TEC.
Neste momento não me sinto preparada para o fazer. Na verdade, não sei se algum dia estarei.
Nos últimos anos parei. Parei de viver, parei de me sentir mulher, parei de me sentir feliz.
Tudo era feito e pensado em função dos tratamentos e de todos os "ses" que dai advinham.
Resultado de tudo isto? Colapsei! Física e espiritualmente entrei num desgaste, do qual, nem eu me tinha apercebido.
Continuo a desejar um filho. O facto de não ter, continua a "cortar-me" por dentro todos os dias.
Todas as datas estão bem presentes na minha cabeça: A primeira FIV, o primeiro positivo, o primeiro Aborto, o segundo, o terceiro....Já passaram anos e parece-me tudo tão recente...
As probabilidades de a minha TEC resultar são as mesmas do que me sair o Euromilhões...
A consulta de Infertilidade é em Janeiro. O que farei? Não sei. Sei que, se fosse amanhã não avançaria com a TEC.
Em 2018 verei se tenho coragem para avançar...

" Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir."- Amyr Klink

09 outubro 2017

UPDATE#2

Tenho andado desaparecida....Basicamente não há novidades.
Já passei por um batizado de família, um reencontro com a turma da universidade e aguarda-me outro batizado no Domingo. 
Não vou mentir, nestas alturas sinto-me a andar de montanha russa com tantos sentimentos á mistura: o coração cheio por estar com pessoas de quem gosto e o coração triste pela infertilidade que me assombra. Sinto-me um verdadeiro ALF caído do espaço.
Esta noite foi horrível. Dormi mal e no pouco tempo que dormi sonhei que tinha um filho.
Quando acordei e cai em mim, não consegui conter as lágrimas.
Os últimos dias têm sido dolorosos. Não sei explicar o porquê, não há nenhum motivo especial. Tenho pensado em filhos diariamente. Os carrinhos de bebé e as grávidas multiplicaram-se á minha volta.
Por muito que me custe, acho que estes sentimentos/pensamentos vão fazer sempre parte da minha vida.
Amanhã é dia de consulta com a Drª M.....





11 setembro 2017

O que me vai na alma..

Amei com todas as minha forças sem nunca vos conhecer.
O Amor não desapareceu.
Fiquei foi sem forças para lutar.

08 setembro 2017

UPDATE

Antes de mais quero agradecer todo o apoio que tenho recebido. 
Não respondi individualmente a cada comentário nos meus últimos posts.
O tempo tem "voado" mais do que o normal e não consegui.
No PMA a consulta ficou remarcada para Janeiro. 
Foi por opção minha que só foi marcada para 2018.
Até concordo quando me dizem que até fazer a TEC não terei paz. No entanto, esta não é a altura.
Vivi os últimos anos em função desta luta, permitindo que a Infertilidade me definisse enquanto Mulher e enquanto ser humano.
Não me arrependo nem por um segundo. Fiz o que o meu coração mandou. E é isso que estou a fazer neste momento: o que o coração manda!
Ao longo de toda esta luta sempre fiz um tratamento quando me sentia preparada para tal. 
Neste momento não estou preparada para fazer TEC. Não deposito grandes esperanças e avançar assim não é bom.
Sinceramente não acredito que as minhas esperanças no sucesso da TEC vão "subir" , mas pelo menos quero Eu recuperar.
Dizem que o tempo cura tudo. Neste caso já não me engano. O tempo nunca vai curar a tristeza e o vazio de não ter filhos.
Vai sim, espero eu, "ensinar-me " a (tentar) aceitar.



31 agosto 2017

Dois Anos Depois

O tempo voa...
Faz hoje dois anos que o mundo desabou sobre mim quando o Dr. Cristiano me disse " não há batimentos".
Quando se ouve uma coisa destas entra-se numa espécie de transe, e sair dele não é fácil.
Dois anos passaram, e lembro-me como se fosse hoje. 
Tenho a certeza que nunca irei esquecer. Há sentimentos que sei que nunca me irão abandonar. O de Injustiça é um deles.
Percorri um longo e árduo caminho nestes últimos anos. Na verdade, continuo a percorrer, apenas mudei de direção.
O que antes era uma luta para ser mãe, tornou-se numa luta de "aceitação" de que não posso sê-lo.
A quem andou, anda ou andará nesta luta desejo do fundo do coração que o desfecho seja diferente do meu.
Qualquer mulher ( a maior parte pelo menos) que não consegue ser mãe sente-se inferior, sente-se menos mulher. Pelo menos eu senti isso.
Na realidade, estamos erradas. Todas nós que passamos por isto somos Grandes Mulheres.
Todas nós que lutamos até ao limite ( e muitas vezes para além dele) das nossas forças para tentar ter um filho somos um exemplo de força.
Esta luta causou-me danos incalculáveis a nível psicológico.
Chorei muito ao longo destes anos. Chorei de alegria quando algo corria bem, mas acima de tudo de tristeza quando algo corria mal.
Tornei-me numa pessoa fria e distante de muita coisa que me fazia bem.
Tive fases de isolamento do mundo. Tive fases em que deixei de fazer o que gosto e com quem gosto.
É contra tudo isto que agora tenho de lutar.
Para quem anda nesta luta só posso aconselhar que não façam isso. Será difícil, mas nada neste caminho é fácil.
Não me esqueci que tenho 2 embriões. No entanto, acho que a Drª M tem razão quando diz que só irei fazer a TEC para "cumprir calendário".
Sei que deveria pensar que ainda pode correr bem. Mas não penso. Toda a minha história aponta noutra direção. A minha idade avança. São tudo fatores contra.
Neste momento, decidi que não faço TEC. 
Preciso de encontrar a minha paz interior, o meu caminho sem filhos.
Para o ano se estiver preparada farei. Ou não. Só o futuro dirá.

" Depois de escalar uma montanha muito alta, descobrimos que há muitas outras montanhas por escalar."

Nelson Mandela

29 agosto 2017

Por cá....

Hoje foi dia de Consulta de Psicologia.
Sexta será a "vez" da Psiquiatria.
Dia 6/9 será dia de consulta de PMA.
A Dra. M continua a ser, sem dúvida alguma, uma querida e que acima de tudo me tem ajudado muito.
A conversa flui e passam 1.30 minutos a voar.
Hoje foi a consulta em que menos lágrimas houve.
Quando me questionou se eu já estava a interiorizar o facto de viver sem filhos eu respondi prontamente que não. Gostava, quero, mas está a ser difícil.
Contei á Dra. que quando recebi um convite para um batizado o meu primeiro pensamento foi " Mais uma festa em que só tu é que não vais ser mãe de alguém."
Quando o meu inconscientemente "pensa" assim mostra-me que ainda tenho muito para interiorizar.
Ando ( estupidamente) resistente a tomar os antidepressivos. Tenho um pavor enorme de ficar viciada.
Confesso que me apavora tomar a medicação e fazer a TEC. 
Até agora sempre estive de "bem comigo" , sempre com a consciência tranquila que fiz tudo o que podia para tudo correr bem. Fazer a TEC a tomar antidepressivos tenho a certeza que iria ser uma sombra ( um fantasma) na minha cabeça e que me iria culpabilizar pelo insucesso ( que pode ocorrer).
Perante tudo isto e com o aconselhamento da Dra. M , decidi que na consulta de PMA vou pedir nova marcação só para o próximo ano.
Não me sinto preparada para avançar com a TEC. Por muitos e variados motivos sinto necessidade de primeiro  "cuidar " de mim. Tenho que "arrumar" a minha cabeça para ter capacidade para lidar com a avalanche que "caiu" sobre mim nos últimos anos.
A avalanche chamada Infertilidade. 


"Não viva no passado , não sonhe com o futuro, concentre a mente no momento presente."


Sakyamuni

17 agosto 2017

O antes e o depois...

"Hope and expectation precede each round of treatment. If the treatment fails, hope and expectation are quickly replaced by despair and depression."
É mesmo isto que sentimos: o antes e o depois de um tratamento falhado.
Um artigo interessante. A infertilidade "falada" por um homem ( raro acontecer).

https://www.irishtimes.com/life-and-style/health-family/parenting/when-they-told-me-i-was-infertile-i-was-consumed-by-shame-1.3180573?mode=amp

11 agosto 2017

(Tentar) Aprender a viver sem..

11/08/2015: Faz hoje dois anos que tive o meu 3º ( e último) positivo.
Quando abri o mail e vi 536.00 o meu coração saltou. Sabia que era um valor ótimo.
Dois dias depois vi 1526.00 e 7 dias depois 6425.00.
Parecia estar tudo a evoluir dentro da normalidade.
Mas mas não correu bem.
Dois anos passados e ainda não curei as feridas. Na verdade, tenho sérias dúvidas se algum dia isso vai acontecer.
Hoje recebi um convite para um batizado. 
Dei por mim a pensar: mais uma festa em que só tu é que não és mãe de ninguém....
Para mim, o tempo não tornou a dor menor. Gostaria de dizer o contrário, mas estaria a mentir.
Aprendi a abstrair-me das conversas. Senti necessidade de o fazer.
Quando a conversa num grupo fica a girar em torno dos filhos, eu não aguento.É dor a mais para mim.
Tenho que " deixar de ouvir" e "viajar" para longe. Nesses momentos sinto-me a explodir. Sinto que a tristeza e a raiva se vão juntar e me vão "rasgar".
Ninguém tem culpa. Na realidade, ninguém tem de deixar de falar das alegrias que os filhos dão só porque está uma infértil presente. Mas eu não aguento.
Pensei que o tempo diminuiria a dor, mas na realidade não.
Nada vai preencher o vazio que sinto por não ter um filho.
As portas fecharam-se. Os tratamentos acabaram e a adopção foi uma porta fechada antes de ser realmente aberta.
Sinto, e sei que não estou errada, que ninguém entende esta dor. Quando digo ninguém, incluo também o meu marido.Por muito que ele queira um filho comigo, o vazio não é o mesmo.
Ele tem histórias para partilhar, ele tem quem lhe chame Pai.
Na realidade, nem eu sei explicar a "dor" permanente que sinto. Depressão reativa é o termo clinico ( segundo a Psicóloga). 
Seja qual for o nome , doi muito. E já percebi que me vai doer para sempre.
Com a infertilidade tornei-me revoltada.
Não aceitei até hoje ( e duvido que algum dia aceite) esta injustiça. 
Estou apenas a (tentar) aprender a viver com a injustiça....e sem filhos....
O tempo ( não ) cura tudo.

17 julho 2017

Nada de Novo...

Não tenho escrito neste cantinho porque basicamente não há nada de novo...
Amanhã nova consulta de Psicologia, na Quinta nova consulta de Psiquiatria...
Hoje de manhã dei por mim a pensar que há 2 anos por esta altura andava na "luta" para fazer TEC.
Andei meses para conseguir fazer, porque cancelaram 2 vezes a transferência.
Há 2 anos atrás ainda tinha esperança que iria conseguir ter um filho.
Hoje, olhando para trás, vejo que gastei todas as minhas energias nessa luta.
Não me arrependo. Mas, sem dúvida que me afetou, e muito, enquanto pessoa.
Uma das coisas que mais me entristece na Infertilidade é que ninguém nos compreende.
Ninguém faz a mais pequena ideia do quanto tudo isto nos aleija.
Neste submundo da Infertilidade um abraço vale mais do que mil palavras.
Sentir que temos alguém ao lado que nos apoia, nos compreende e está ali para nos "aturar" cada vez que nos apetece chorar.
Sem isso, torna-se uma luta ( ainda mais) cruel e solitária.

08 julho 2017

Nostalgia

Escrevo este post "no meio" de um churrasco de primos.
Adoro e sempre adorarei a minha familia.
No entanto, é inevitável a nostalgia que me assombra...só ouço : " pai, mãe,filho, filha..."
Sou a única que não ouço nem digo estas palavras...
É nestes momentos que percebo que a infertilidade me fará sofrer sempre...
É nestes momentos que percebo que serei sempre " diferente".
Não me sinto excluida. Mas, eu sinto-me diferente...

29 junho 2017

A diferença entre ter ou não...Dinheiro

Infelizmente, neste mundo da Infertilidade ter ou não dinheiro pode fazer muita diferença.
Entro no facebook e deparo-me com uma foto do Cristiano Ronaldo com os seus filhos.
Se eu tivesse dinheiro também recorria a Barriga de Aluguer.
Tal como a doação de Ovócitos, este não é um tema consensual, mas eu, se tivesse meios recorria a Barriga de Aluguer.
Poderia, ou não , ser a minha tábua de salvação.
Mas, como não tenho meios para, fico-me pelo sonho.
O sonho desfeito de um dia ser mãe....
Eu gerar um filho já se provou impossível.
Barriga de aluguer : impossível.
Adoção: Opção eliminada. Longas listas de espera aliado ao facto de que , apesar de o marido não o assumir, sinto ( do fundo do meu coração) que não está aberto a isso.
Porquê? Não sei. Nunca conseguimos levar a bom porto uma conversa ( sempre iniciada por mim) sobre o assunto.
Sonhos desfeitos que continuam a "doer".


26 junho 2017

Noticias Boas

Andei desaparecida, mas sempre a acompanhar a luta das outras meninas.
Hoje, quando li que uma delas teve um positivo fiquei (muito) emocionada.
É tão bom ver que nesta luta há finais felizes.
Só estas boas noticias nos fazem acreditar que nem tudo é injusto.
Um beijinho muito grande para ti minha querida e desejo-te uma santa gravidez!

Viver com 40

Tenho andado desaparecida....
O trabalho tem sido muito.
Entretanto já fiz 40 há quase 2 semanas.
Foi um dia em que inevitavemente me lembrei do "peso" que a idade acarreta.
Mas foi um dia bom, de comemoração com os amigos mais próximos e a família.
No que toca á Infertilidade continua tudo na mesma.
Não adianta vir para aqui escrever que estou a  aceitar melhor porque não estou.
Qualquer jantar de amigos é inevitável que a conversa passe por " A minha filha isto...O meu filho aquilo....". Todos têm filhos, meu marido incluído. Todos têm histórias e alegrias para partilhar. 
Eu sou e continuarei a ser a única " Estranha" que fica calada porque não tem histórias para contar.
Dói Muito. Aliás, acho que cada dia que passa me dói mais.

09 junho 2017

Consulta de Psiquiatria

Ontem foi a 1ª Primeira Consulta de Psiquiatria.
Digo 1ª porque em Julho regresso....
Ainda não "digeri" muito bem a consulta.
Nos 30 minutos de espera no hospital dei por mim a fazer uma retrospetiva destes últimos anos.
Revivi cada vitória que consegui e cada derrota que sofri. Foram horas sem fim em hospitais e imensas hormonas a "massacrar" o meu corpo física e psicologicamente.
E para quê??
Olhei á minha volta e pensei: " Tanto dinheiro gasto, tantas lágrimas, tanto sofrimento, para "acabar" na Psiquiatria."
Infelizmente foi onde a Infertilidade me levou.
Sinal de fraqueza? Sinal que não soube gerir as emoções? Não sei...
Há dias que penso que sim, que devia ser mais forte. 
Mas, sinceramente, a maior parte dos dias acho que não. 
Como humana que sou é mais do que normal que as feridas estejam cá.
Como humana que sou é mais do que normal que me deixe consumir pela tristeza e pela raiva.
Como humana que sou é normal que me sinta cansada.
Na verdade estou cansadíssima. Sinto um cansaço mental que não sei muito bem como e quando vai passar.
A Drª P entendeu que , apesar de em dose baixa, devo tomar medicação. 
Ainda não tive coragem de ir á Farmácia.... 

06 junho 2017

Faz Hoje um ano...

Faz hoje um ano que fiz transferência de embriões.
Há um ano atrás ainda me parecia possível realizar o meu sonho.
Tinha transferido 2 embriões de boa qualidade e ainda me restava pelo menos um tratamento no Público.
Há um ano atrás tudo me parecia possível.
Estava na minha 4ª FIV, na minha 5ª transferência de embriões. Acreditava que podia ser a altura, que depois de 3 abortos e tanto sofrimento podia ter chegado finalmente a minha vez.
Mas não chegou. 
Entretanto já fiz a 5ª FIV, que também não correu bem.
Preferia a época da esperança, em que acreditava que na próxima ia correr bem.
Preferia a época em que me permitia sonhar, que um dia poderia andar a comprar um carrinho de bebé.
Preferia a época em que acreditava que um dia ouviria a palavra Mãe, e seria para mim.
Mas essa época passou. 
De momento já não me permito sonhar. 
De momento permito-me apenas chorar pelos 3 filhos que perdi.
Há quem me ache doida, que eram apenas embriões, que "não eram nada" como já cheguei a ouvir.
Para mim eram os meus filhos.

03 junho 2017

Junho....40 anos

Chegou o mês de Junho. 
Chegou o mês que me assombra há uma infinidade de tempo.
Chegou o mês em que faço 40 anos.
No dia 1 tive consulta de Psicologia. No próximo dia 8 tenha a 1ª de Psiquiatria.
No dia que antecede uma consulta digo sempre a mim própria: "Amanhã não vais chorar baba e ranho outra vez"..Mas até agora não resultou...
A Drª M começou a consulta perguntando apenas: " Como se sente?". 
Respondi: " Com Raiva. Muita raiva e muita dor. Sinto que tenho um silvado no meu peito que me pica diariamente."
E é mesmo isto que sinto.
Tive uma fase em que só sentia tristeza. Agora, a tristeza não passou mas a raiva predomina. Tenho uma raiva enorme por "algo" que não é atingível. Tenho raiva do destino.
Tenho uma angústia permanente dentro de mim que não consigo explicar. É o tal "silvado" que me causa dores permanentes.
Tal como disse á Drª M gostaria de passar um dia que fosse sem me "lembrar" que sou infértil.
Gostaria muito de dizer que estou melhor, que estou a  "aceitar" a minha condição e que me sinto a evoluir. 
Mas não é verdade. Não me sinto a evoluir. A Drª M partilha dessa opinião.
Ao fim de uma hora com a Drª M ela questionou: " Tem uma TEC para fazer mas nunca fala nisso. Porquê?".
Não tinha reparado nisso até ela o mencionar, mas respondi de mediato: " Durante anos a minha corda de salvação foi o próximo tratamento. Quando me vi sem próximo afundei. Agora não quero fazer da TEC  a minha corda. Até agora cai num riacho, depois posso cair no mar e não conseguir sair."