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16 março 2017

Montanha Russa

Ultimamente sinto-me assim...a andar de montanha russa...e as emoções sempre ao rubro.
Hoje acordei triste, vazia.
Falta-me algo, falta-me um filho. 
Ontem a minha vizinha dizia-me que o segundo filho dela nasce em Abril. Dei comigo a pensar que quando ela me disse que estava grávida do primeiro eu já andava nesta "luta". 
Os anos passam, se a minha primeira gravidez tivesse corrido bem já teria um filho com dois anos e meio.
Há dias assim, em que a revolta toma conta de mim e só me apetece gritar.
Há dias em que apesar de estar farta de saber que não encontro a resposta me continuo a questionar o porquê.
Sinto-me extremamente cansada, com dificuldades de concentração. Não é um cansaço físico que uma boa noite de sono pode resolver. 
É um cansaço psicológico resultante de 5 FIVS, 1 TEC e 3 abortos.
Hoje é daqueles dias que sinto que a qualquer momento as lágrimas vão cair.
Hoje é daqueles dias que se ouço alguém a queixar-se do stress que é ter um filho e cuidar dele expludo.
Certo ou errado?Não sei, hoje sinto-me assim...



07 março 2017

Infelizmente...

Infelizmente ainda não foi desta.
Ontem fiz o BetaHCG. 
Decidi que se tivesse de chorar o faria no meu canto e não em pleno hospital.
Fiz a análise de manhã cedo e por volta das 16 horas chegou o fatídico 0.0.
A revolta e a desilusão tomaram mais uma vez conta de mim.
Chorei o que tinha para chorar ( e talvez o que não tinha). Despejei a raiva que tinha para despejar.
Ontem pensei em desistir. 
Mais uma vez só me perguntei o porquê e como é óbvio não encontrei as respostas.
Amanhã tenho consulta no hospital.
Vamos ver quanto tempo é a lista de espera deles para TEC.
Difícil não desanimar! Difícil não me revoltar!
Esperam-me dias difíceis e noites mal dormidas.
Cada vez custa mais recuperar de um insucesso. Sei que o fim da linha está próximo e isso não ajuda nada.



04 março 2017

E tu?

Ontem uma menina pôs um post no blog dela mesmo a falar sobre isto. 
Na hora que li, pensei, e até comentei lá que a entendia perfeitamente porque também passava pelo mesmo.
Hoje estava eu tranquila nas compras de supermercado e tenho um daqueles encontros fantásticos com uma pessoa que desde que foi mãe acha que tem o direito de questionar toda a gente porque não o é.
Muitas pessoas  queixam-se do " então e vós?". Para mim é mais "então e tu?". 
A sensação com que fico é a de que acham que o motivo de não termos filhos é eu não querer, atendendo a que ele já tem 2 filhos. Dai o singular da pergunta.
Analisando bem há vários tipos de inquiridores:
  • os que até me são chegados, e quando me perguntam e eu respondo " Um dia destes" entendem que é a minha maneira educada de dizer " Mete-te na tua Vida". Assunto morre.
  • os que me são chegados, e que não perguntam ( graças a deus são a maioria). Não sei o que lhes vai na mente mas guardam. Obrigada!
  • os que me vêm de ano a ano. Não sabem nada da minha vida mas quando ouvem o " um dia destes" continuam com o reportório do mais variado possível: "tens que te despachar que estás a chegar aos 40"; " não queres para poderes ir ao ginásio á vontade e andar a passear não é?"
E se fosse? Não é o meu caso mas há mulheres que não tem filhos por opção, seja apenas delas ou do casal.
E o quê que alguém tem a ver se é para poder passear ou ir ao ginásio?
A nossa sociedade está tão parametrizada que quem não tem filhos parece um ET na Terra.
Sim, eu sinto-me assim quando "sou interrogada". 
As pessoas olham para mim de um jeito que eu visto inteiramente a pele daquele "ser" peludo chamado ALF que fez parte da minha infância.
Ninguém é obrigado a ter filhos. E acima de tudo ninguém é obrigado a explicar á sociedade porque não tem.
Se chegar ao fim da linha sem filhos talvez pondere mudar a resposta para " Não posso ter". Talvez....ainda não sei se prefiro a pele da Egoísta que quer passear ou a de Coitadinha que não consegue.
Desabafos de uma noite de Sábado no quentinho da lareira.



02 março 2017

Sentimentos

Em Agosto de 2015 quando obtive o meu terceiro positivo fiz disto a minha foto de capa no facebook. Apesar de só meia dúzia de pessoas perceberem o significado, o importante era que eu sabia.
E estava mesmo orgulhosa, o beta duplicava a cada 2-3 dias conforme era suposto.
Infelizmente não correu bem.
Mas continuo orgulhosa de mim.
E mesmo que nunca dê certo continuarei orgulhosa.
Ao longo destes anos já chorei mais que em toda a minha vida. Tive momentos muito maus em que me apetecia desistir de tudo e não via sentido em continuar uma luta conta a tal coisa "inexplicada".
A infertilidade e tudo o que dai advém trouxe coisas más mas também trouxe coisas boas.
Conheci pessoas, muitas só virtualmente , mas foi com elas que fui tirando as minhas dúvidas e partilhando os meu medos.
A infertilidade ensinou-me ( ou pelo menos tentou 😏😏) a palavra calma.
Sempre fui ( e ainda sou) muito stressada , mas aprendi que há alturas em que temos mesmo de aprender a esperar ( mas custa tanto...).Acima de tudo aprendi a dar valor a pequenas (grandes) coisas da vida.
No meu último aborto alguém me perguntou porque me continuava a massacrar com os tratamentos, se não estava na altura de parar.
Respondi que não ia morrer na praia, que agora ia até ao fim.
E o fim está próximo!
Seja qual for o desfecho nunca me arrependerei de ter tentado.

24 dezembro 2016

Natal

É Natal outra vez. 
Este ano temos mais um elemento na familia.
Tem 4 meses e é um simpático.
Claro que mais um ano me pergunto se algum dia terei um filho para rasgar papel juntamente com os primos. Infelizmente não sei.
Estou a fazer tudo para que sim. Estou de consciência tranquila que estou a fazer tudo o que está ao meu alcance.
Mas também tenho uma certeza: estou a chegar ao meu limite. São muitos anos, muitos tratamentos, muitos sorrisos e muitas lágrimas.
Ao longo destes anos tenho conhecido e falado "virtualmente" com muitas mulheres com problemas de infertilidade.
Todas com problemas diferentes, todas com histórias diferentes. Vamos vendo histórias de sucesso diariamente e é isso que nos dá força para acreditar.
Uma coisa todas temos em comum: o desejo de ter um filho e força para lutar por isso.
3 Anos após o meu primeiro tratamento uma coisa eu sei, é preciso querer muito um filho para carregar a "mochila" que tratamento após tratamento vai ficando mais pesada.
Cada tentativa falhada é uma batalha que perdemos a lutar contra a natureza. E até ao final não sabemos se vamos ganhar a guerra. 
E sim, sem dúvida que todas (os) nós que passamos por isto somos umas guerreiras (os).
Que 2017 nos traga os nossos desejos.

18 junho 2016

40- O número que na Infertilidade ninguém gosta

Tinha acabado de fazer 39. Dali a um ano faria 40.
O tempo esgotava-se.
Após o último tratamento no Privado decidimos "fechar essa porta". Não tinhamos mais plafond para gastar.
Só nos restava o Público e uma única tentativa.
Apesar de ainda ter direito a duas tentativas no Público a idade não me iria permitir usar.

30 novembro 2015

Dor...Muita dor

Os dias/meses seguintes foram muito difíceis.
Pela primeira vez tive de recorrer a ajuda de calmantes para dormir.
Entrei num ciclo de noites e noites sem dormir.
Quando dormia ou sonhava com bebés, ou com Abortos.
Mal acordava, os meus três abortos eram o meu primeiro pensamento.
Tive dias de raiva. Dias de tristeza. Dias de resignação.
As pessoas diziam-me : " estava muito no inicio", " se deixares de pensar nisso engravidas" .
Eu até hoje não entendo como as pessoas dizem isso.
Pouco ou muito tempo eram os meus bebés. Os meus filhos. E foram 3.
Como se ultrapassa esta dor?
Não se ultrapassa. Aprende-se a viver com ela. Só e apenas isso. Nunca se esquece.